
Fotos: Carlos Contursi/ Arquivo Pessoal Hamilton Chaves
Muito se falou, recentemente, nos momentos de tensão que envolveram o
Rio Grande do Sul, seu governador, Leonel Brizola, e o país 50 anos
atrás, durante a chamada Campanha da Legalidade. Mas vale a pena lembrar
um outro fato que também completa meio século exatamente no dia de
hoje.
Às 18h40min do dia 27 de setembro de 1961, um mês e três dias após o
ato de renúncia de Jânio Quadros, que desencadeou a crise nacional, o
avião Caravelle PP-VJD aproximava-se da cabeceira da pista 10 do
aeroporto de Brasília, levando a bordo 63 passageiros e oito
tripulantes, quando bateu violentamente contra o solo e incendiou-se.
Além do governador Brizola e sua comitiva, três ministros do governo
Jango – que havia tomado posse contrariando a vontade de alguns
militares golpistas no dia 7 do mesmo mês – estavam entre os
passageiros.

Ninguém morreu, mas a suspeita de que a aeronave teria sido alvo de
sabotagem imediatamente assombrou a mente de muita gente. Os ministros
Gabriel Passos, das Minas e Energia, Oliveira Brito, da Educação e
Cultura, e Estácio Sotomayor, da Saúde, mais Leonel Brizola e diversos
gaúchos que o acompanhavam nesta primeira visita ao Distrito Federal
levaram um grande susto.
Depois de uma forte pancada e um estrondo, o aparelho perdeu o trem
de pouso e deslizou de barriga para fora da pista. Quando parou, já
estava transformado numa imensa fogueira. Com a cabine às escuras e as
poltronas soltas, alguns passageiros em pânico esmurravam e chutavam,
inutilmente, as janelas. Com gritos que pediam calma, os mais
controlados ajudaram os tripulantes a evacuar a aeronave pelas portas
dianteiras e de emergência.
A aeromoça Terezinha Xavier, com queimaduras nas mãos, foi quem se
feriu mais gravemente. Do jato, avaliado na época em US$ 2,6 milhões,
não sobrou quase nada. Perderam-se também 329kg de bagagens, 128kg de
carga e 18kg de malas postais.
O fotógrafo gaúcho Carlos Contursi (1920 – 1998), que acompanhava o
governador, assim que saiu do inferno e colocou os pés no chão, fez as
primeiras fotos. Por limitações da época, elas só foram publicadas aqui
dois dias depois. Na manhã do dia seguinte, ileso e incrédulo, ele fez
outras tantas.

O relatório da comissão de investigação atribuiu o acidente a “erro
de julgamento de aproximação do piloto em treinamento que não foi
corrigido oportunamente pelo instrutor”. A notícia repercutiu na
imprensa da época.

O Correio Braziliense inclusive voltou ao assunto neste final de semana,
com reportagem lembrando os 50 anos do que teria sido o primeiro drama
aéreo da Capital Federal